top of page
Search

Como a quiropraxia pode ajudar quem corre


Por ser uma atividade física ao ar livre, de baixo custo e fácil execução, a corrida tem ganhado o gosto de milhares de pessoas pelo mundo[1]. Muitas delas iniciam a corrida em busca de hábitos mais saudáveis, como controlar o peso corporal e melhorar a capacidade física, mas há aquelas que fazem pelo prazer da prática e desenvolvem uma maior interação e motivação interpessoal.


Atendimento na corredora Andrea Rosa, que é patrocinada pela clínica, após a corrida

Uma das consequências da popularização da corrida é o aumento das lesões entre os adeptos[2], com uma incidência que pode variar de 19,4% até 79,3%[3]. Parte das queixas é leve e não interrompe a prática de correr, porém os acidentes durante a prática do treino chegam a fraturas de estresse na crista ilíaca e na tíbia, tendinopatias patelares, bursites infrapatelares, periostite tibial, lesões da panturrilha, tendinite do tendão calcâneo e fascite plantar[4]. Em um estudo com 204 corredores amadores, 85 apresentaram lesões corporais que ocorreram nos membros inferiores (78%), nos membros superiores (18%) e na cabeça (2,6%). As queixas mais frequentes foram bolhas nos pés e escoriações (30%) e entorses do pé e tornozelo (29,9%). Lesões como fraturas por estresse, lesões musculares, bursites e tendinopatias estavam presentes em 19 atletas (22,3%)[5].

Outro estudo afirma que tendinites e canelites são as principais queixas, principalmente relacionadas ao joelho e face anterior da perna. O tempo de prática parece influenciar na frequência dessas lesões e sugere-se ter cautela especialmente no primeiro ano de treino, para que a corrida seja realizada de forma segura e orientada[6]. Em uma revisão de literatura científica, os principais fatores de risco da corrida são a má periodização do treino, pisada irregular, pisos e calçados inadequados, desigualdade estrutural de membros inferiores e fatores biomecânicos (como desalinhamentos posturais) que dificultam o bom desempenho ao correr[2].

Pequenas alterações corporais podem se tornar um fator significativo no desenvolvimento de lesões em corredores de distância devido à força de impacto existente no primeiro contato do pé com o solo, equivalente a duas ou três vezes o peso corporal, numa frequência média de passada de 70 a 100 passos/minuto. Uma porção da força de impacto é diminuída através de calçados esportivos, enquanto que o restante é transmitido para as estruturas anatômicas como tornozelos, joelhos e coluna lombar. Desta forma, a combinação de cargas cumulativas de impacto e desvios nas estruturas anatômicas pode contribuir para a incidência de lesões por uso excessivo em corredores profissionais[7].


A corredora Andrea Rosa fala sobre a quiropraxia

Durante o treino e na corrida me sinto segura em forçar mais e sei que estou com músculos 'soltos' e tudo no lugar!

Andrea Rosa

A Quiropraxia é a profissão que avalia, previne e trata as desordens do sistema articular, nervoso e muscular através de práticas manuais. Seu foco é na estrutura da coluna vertebral, mas os procedimentos corretivos se estendem à maioria das articulações do corpo, tendo como objetivo corrigir restrições articulares e desalinhamentos vertebrais[8]. Em atletas, a profissão busca evitar lesões através de técnicas próprias, tais como ajustes quiropráticos, Nimmo, ART e kinesiotape, que liberam tensões musculares e fasciais, promovem redução da dor local e permitem que o próprio organismo do atleta se equilibre e tenha melhores condições de funcionamento e um consequente maior rendimento.

O quiropraxista Anderson Ferreira, da cidade de Portão, RS, afirma que “a prevenção é a palavra-chave. Prevenir e tratar as lesões comuns da prática como torções, distensões, problemas no joelho e dor na coluna lombar fazem parte da quiropraxia desportiva’’. Já a corredora Andrea Rosa, ganhadora do terceiro lugar da categoria 45-49 do Circuito de Corrida de Ruas de Curitiba 2016 , visita seu quiropraxista semanalmente e afirma que ‘durante os treinos e na corrida me sinto segura em forçar mais, pois sei que estou com músculos `desenrolados` e a coluna, quadril, pelve, tudo no seu devido lugar, melhorando assim minha performance” e complementa que ‘após os treinos, com o atendimento quiroprático sou alongada e tenho todo meu corpo tratado’.

O tratamento quiroprático deve ser considerado em queixas como dores e problemas do tornozelo[9], para a síndrome do trato íliotibial[10] (ou joelho de corredor – dor na face lateral da coxa que se estende até a lateral do joelho) e para melhorar a extensão do quadril[11], tornando o atleta livre de desalinhamentos e alterações que o impeçam de correr e competir.

Espera-se que o artigo possa despertar a importância do atendimento quiroprático no cuidado de alterações corporais nos atletas, principalmente corredores, para que possam desfrutar da prática em seu mais alto rendimento físico e prazer pela corrida.

[1]JUNIOR, Hespanhol, et al. Perfil das características do treinamento e associação com lesões musculoesqueléticas prévias em corredores recreacionais: um estudo transversal. Revista Brasileira de Fisioterapia. v.16, n. 1, p.46-53, 2012.

[2]SOUZA, Christie et al., Fatores de risco e prevenção das lesões musculoesqueléticas em praticantes de corrida. Revisão de literatura. Lecturas: Educación física y deportes, n. 207, p. 8, 2015.

[3]VAN GENT, Bobbie et al., Incidence and determinants of lower extremity running injuries in long distance runners: a systematic review. British Journal of Sports Medicine, 2007.

[4]PILEGGI, Paula et al., Incidência e fatores de risco de lesões osteomioarticulares em corredores: um estudo de coorte prospectivo. Rev. Bras. Educ. Fís. Esporte, São Paulo, v.24, n.4, p.453-62, 2010.

[5]DE ARAUJO, Mariana Korbage et al. Lesões em praticantes amadores de corrida. Revista Brasileira de Ortopedia, v. 50, n. 5, p. 537-540, 2015.

[6]CAMPOS, Alberto et al., Prevalência de lesões em corredores de rua amadores. Revista Brasileira de Pesquisa em Ciências da Saúde. v. 3, n.1, p. 40-45, 2016.

[7]Kapandji J. Membros inferiores. In: Fisiologia articular. Tradução de Maria A. Madail. São Paulo: Manole, 1980.

[8]DIRETRIZES 6 da OMS sobre a formação básica e a segurança em Quiropraxia/ Organização Mundial de Saúde – Novo Hamburgo: Feevale, 2006.

[9]GILLMAN, Scott. The impact of chiropractic manipulative therapy on chronic recurrent lateral ankle sprain syndrome in two young athletes.Journal of chiropractic medicine, v. 3, n. 4, p. 153-159, 2004.

[10]KONCZAK, Clark et al., Relief of Internal Snapping Hip Syndrome in a Marathon Runner After Chiropractic Treatment. Journal of Manipulative & Physiological Therapeutics , Volume 28 , Issue 1 , e1 - e7

11SANDELL, Jörgen; PALMGREN, Per; BJÖRNDAHL, Lars. Effect of chiropractic treatment on hip extension ability and running velocity among young male running athletes. Journal of Chiropractic Medicine, v. 7, n. 2, p. 39-47, 2008.

Comments


bottom of page